CULTURA DO CANCELAMENTO
O que define existência é pertencimento, e pertencer é existir. Trata-se de uma verdade inerente a natureza do ser. Todos somos quando pertencemos. Porque fomos criados para ser a partir do pertencer e se tornar parte de algo maior, acima e além de nos mesmos individualmente. Por isso, desde o princípio, antes do homem perceber que estava só, o próprio Deus declarou que não é bom para o ser humano, estar só.
O CUSTO DO SER CANCELADO
A partir dessa perspectiva teológica do "pertencer é existir", a cultura do cancelamento nas redes sociais torna-se um mal preocupante, porque a partir do momento que alguém faz desse ambiente virtual seu lugar de pertencimento, ser cancelado é não mais pertencer, e não pertencer é ter que lidar com o sentimento de deixar de ser, ou seja, ser cancelado é como tornar-se ninguém.
A conclusão que chegamos é que se pertencer é existir, o sentido de existir é ter sempre com quem compartilhar. Talvez, por isso, a geração mais virtualmente conectada de todos os tempos, seja também, a geração mais psicologicamente introvertida, solitária e triste de todos os tempos. Como diz o livro sagrado: "Não é bom que o ser humano esteja só".
O ALTO PREÇO DO CANCELADOR
Mas será que alguém perde o sentido de ser somente quando é cancelado? Será que ser popular a qualquer custo não tem um preço muito alto? Já parou para pensar que o indivíduo virtualmente cancelado e o indivíduo virtualmente popular podem se encontrar no mesmo lugar existencial dentro desse universo do cancelamento virtual?
Se pertencer é anseio inerente a todos, para evitar ter que lidar com a dor de ser ninguém, para evitar a dor de não pertencer a lugar nenhum, alguém pode optar por pertencer a qualquer custo, até mesmo a prostituir-se em troca de pertencimento. Isso acontece? É possível alguém aceitar tornar-se qualquer "coisa" para se sentir pertencente, mesmo que essa "coisificação do ser" implique deixar de ser ele mesmo?
Infelizmente pessoas super curtidas nos stories da sua "pseudo vida social", ou super "hypados" nas suas redes sociais, podem se tornar pessoas estranhas para si mesmas e irreconhecíveis por aqueles que acreditavam um dia ter conhecido quem eram de verdade.
CONCLUSÃO
Parece que em nome de pertencimento pessoas já se perderam a tanto tempo de si mesmas, que provavelmente nem lembrem mais quem são. Esse cenário é triste, e além de partir o coração, é preocupante por sintomatizar uma espécie de suicídio social.
O fato é que nascemos para pertencer, porém pertencer a qualquer custo pode comprometer a essência do ser e o sentido de existir. Pertencer parece não ser tão simples como imaginamos, porém, pode estar mais acessível do que pensamos.
Mesmo que todos ainda busquem por sentido da existência e pertencimento a partir de si mesmos, Deus Pai Criador dos céus e da terra, amou sacrificialmente, entregando seu Filho, Jesus Cristo para que todos que nele crerem, recebam o direito de pertencer, encontrem o caminho de volta para casa e sejam recebidos como filhos na família de Deus.
Seja bem vindo à família
Anderson Bomfim

