CULTURA, SUBCULTURA E CONTRACULTURA
A cultura no sentido mais amplo, significa simplesmente os padrões seguidos por um determinado grupo. A cultura implica certa medida de homogeneidade. Mas se a unidade é maior que o clã ou a tribo pequena, a cultura correspondente há de compreender uma quantidade de subculturas, e de subculturas de subculturas, entre as quais pode haver uma grande variedade e diversidade. Se as variações ultrapassam determinado limite, surge uma contracultura, e este processo pode se tornar algo destrutivo.
A fé cristã não deve ser vista como um tipo de cultura restrita, limitada a um grupo ou comportamento isolado do contexto social, geracional e global. Ser separado do mundo pode ser base do ser subcultura. A proposta do mandato criacional é de cultivar (Promover cultura pelo cultivo) e guardar (Proteger, preservar e manter a salvo o propósito original).
Portanto, santidade não tem a ver com isolamento. A santidade se completa à medida que somos desenvolvidos e enviados. O propósito da santidade não é de sentir-se bem ou melhor, mas cumprir a Missão, por isso Jesus se santificava por eles. Cremos que os cristãos não devem se retirar da cultura, mas se envolver ativamente de forma transformadora.
Cristianismo e Cultura
Historicamente cristianismo desempenhou papel de destaque na formação da civilização ocidental, na arte, economia, educação, legislação, governo, família, tornando-se confissão de fé de Estado de vários países. O estado de Israel tem até hoje sua cultura fundamentada na fé abraâmica, assim como o Estado Islâmico. Não são subculturas, seus princípios de fé estão presentes em sua forma de viver sociedade em todas as suas esferas e não apenas uma parte isolada da vida religiosa.
Cristo descreve no sermão das bem-aventuranças o tipo de gente legislativa que construirá uma cidade sobre o monte. Uma maneira de viver cidade em Deus. Homens chamados luz do mundo não podem viver no mundo das sombras, escondidos embaixo das mesas. A proposta é plantar sementes de uma nova cultura até os confins da terra.
Fazer Bem e Fazer O Bem
A maneira como creio se expressa na maneira como vivo. Fazemos "bem" tudo e fazemos "o bem" com tudo. Fazer bem é uma questão de capacidade e competência. Ninguém é influência sem ser referência. Fazer o bem é uma questão de natureza interior, de ser governado pelas leis do Reino.
Por isso, a fé é determinante na maneira de viver e exercer sua vocação com excelência na cultura, por isso, a fé é inimiga da mediocridade. A questão é que homens abaixo da média em tudo que fazem nunca serão referência, nunca terão influência sobre a maneira como as pessoas vivem.
Da Subcultura à Contracultura
O caminho para deixarmos de ser subcultura é não temermos ser contracultura, assumirmos nossas origens, as bases da nossa fé, a realidade de céus abertos e Espírito derramado, o Reino conferido a sacerdotes ministros governantes.
Para que se estabeleça uma sociedade influenciada pelos valores da cultura do Reino de Deus, precisamos ser cultivadores de princípios, plantar ideias, soluções, caminhos, possibilidades, na esfera do conhecimento, educação, arte, crenças, leis, economia, tecnologia, ciência, direito, nos costumes, em todos os hábitos adquiridos em família e em sociedade.
Anderson Bomfim
Professor de Fé e Cultura
Academia Teológica

